quarta-feira, 18 de agosto de 2010

JESUS COMO O BOM PASTOR (João Cap. 10)

      Os eventos da primeira metade desse capítulo (vv. 1-21) acontecem logo depois da expulsão do homem que fora cego, em 9:34, enquanto os ensinamentos da última metade (vv. 22-42) acontecem dois ou três meses depois. O simbolismo do pastor e de suas ovelhas amarra o capítulo como um todo.

1.        A    IMAGEM (1.1-6)
Esses seis primeiros versículos retratam o relacionamento do pastor com suas ovelhas. O versículo 6 chama esse retrato de “parábola”, mas a melhor palavra seria alegoria. Cristo apenas lembra às pessoas de como agem o pastor e as ovelhas. Mais adiante no capítulo, ele faz uma aplicação mais direta.
No Oriente Médio, o aprisco de ovelhas era muito simples: tinha um muro de pedra em volta, talvez com 3 metros e altura, e uma abertura que servia como porta. Nas vilas, os pastores levavam as ovelhas para o aprisco ao cair da noite e deixavam o porteiro de guarda. De manhã, cada pastor chamava suas ovelhas, que reconheciam a voz do dono e saíam do aprisco. O porteiro (ou um dos pastores) dormia na abertura do aprisco e, no fim, funcionava como “a porta”. Nada nem ninguém podia entrar ou sair do aprisco sem passar pelo porteiro ou pastor.
Cristo indica que o verdadeiro pastor passa pela porta (v. 1), chama suas ovelhas pelo nome, as quais o reconhecem (v. 3), e lidera as ovelhas que o seguem (vv. 4-5). Ladrões e salteadores, tentam entrar no aprisco por algum caminho misterioso, todavia as ovelhas não os reconhecem nem os seguem.

  1. A        EXPLICAÇÃO (10.7-21)
A.                 A porta (vv.7-10) – Jesus Cristo é a porta e, como tal, guia as ovelhas para dentro e para fora. No cap. 9, o homem que fora cego foi “expulso” (excomungado) pelos falsos pastores porque creu em Jesus, todavia Cristo Levou-o para um novo aprisco. Na verdade este capítulo fala de três portas, e devemos conhecê-las se quisermos apreender o significado total dessa explicação:

(1)                A porta do aprisco (v.1). Aqui, o aprisco não é o céu, mas a nação de Israel (veja Sl. 100). Cristo foi a Israel pelo caminho mencionado nas Escrituras. O porteiro (João Batista) abriu a porta para ele.

(2)                “ A porta das ovelhas” (v. 7). Essa é a porta que leva as pessoas para fora de seu aprisco atual, nesse caso o judaísmo. Cristo abriu o caminho para que multidões deixassem o sistema religioso antigo e encontrassem vida nova.

(3)                 A porta da salvação (v. 9). A ovelha usa essa porta para entrar e para sair, o que fala de liberdade; elas têm vida eterna e desfrutam das pastagens da Palavra de Deus. Satanás, por intermédio de seus falsos mestres (ladrões e salteadores), quer roubar, matar e destruir as ovelhas, mas Cristo dá vida abundante e cuida das ovelhas.

B.                  O pastor (vv. 11-15) – Aqui, há um contraste entre os fariseus (mercenários), que não se preocupam com a ovelha, e Jesus Cristo, o bom Pastor. O mercenário foge e protege a si mesmo quando o inimigo vem, no entanto Cristo abre a mão de boa vontade de sua vida pelas ovelhas. (Veja At. 20.29). Cristo, como bom Pastor, dá sua vida na cruz (Sl. 22); como o grande Pastor, ele cuida das ovelhas (Hb 13.20 e Sl 23); como o supremo Pastor, ele volta em glória para suas ovelhas (Sl 24 e 1 Pe 5.4). No v. 18, ele fala de sua morte e de sua ressurreição.

C.                 O rebanho ( vv. 16-21) – As “outras ovelhas” são os gentios, os quais não estavam no rebanho judeu. Jesus devia trazê-los, e ele faz isso por intermédio de sua voz, sua Palavra. Em Atos 10, vemos isso acontecer quando Pedro vai aos gentios e prega a Palavra; estes crêem e são salvos. O v. 16 afirma: “Haverá um rebanho (a igreja) e um pastor (Cristo)”. A igreja é composta de judeus e de gentios que crêem em Cristo, e há um corpo, um rebanho, uma vida espiritual em comum (veja (Ef. 2.11-22; 3.1-13; 4.1-5).
              Cristo é o bom Pastor que morre pelas ovelhas. (No AT, a ovelha morre pelo pastor!) Ele chama por sua Palavra, e os que crêem passam pela Porta, deixam seus rebanho religioso e entram no verdadeiro rebanho de Cristo, a Igreja.

  1. A       APLICAÇÃO (10.22-42)
Dois ou três meses depois, os judeus ainda discutem com Jesus a respeito do que ele disse! Cristo mostra-lhes que eles não são uma “das (suas) ovelhas” e, por isso, não podiam acreditar. Aqui ele apresenta uma bela descrição dos verdadeiros cristãos, suas ovelhas:
(1)                Elas ouvem sua voz, o que significa que escutam sua Palavra e respondem a ela. O não-salvo tem pouco ou nenhum interesse na Bíblia. A verdadeira ovelha vive na Palavra.
(2)                Elas conhecem a Cristo, e ele as conhece (cc. 14, 27), portanto não seguirão um falso pastor. Os membros da igreja que vão de um sistema religioso para outro, ou de um culto para outro, mostram que não são ovelhas verdadeiras.
(3)                Elas seguem a Cristo, o que fala de obediência. Ninguém que viva em desobediência obstinada, persistente e aberta e que se recuse a tomar uma atitude em relação a isso tem o direito de afirmar que é uma ovelha de Cristo. Da mesma forma que há falsos pastores, também há cabritos que tentam se passar por ovelhas. Um dia, Cristo lhes dirá: “Nunca vos conheci” (Mt 7.23).
(4)                Elas têm vida eterna e são seguras, Os vv. 28 e 29 afirmam a maravilhosa segurança que os verdadeiros crentes têm em Cristo e nas mãos do Pai, uma garantia dupla de preservação eterna para suas ovelhas. Somos o presente do Pai para o Filho, e o Pai não pegará de volta o presente. A ovelha é uma bela ilustração do cristão. A ovelha é um animal  limpo,e os cristãos foram purificados de seu pecado. As ovelhas andam em grupos, e os verdadeiros cristãos também. A ovelha é inocente, e os cristãos devem ser sem culpa e inocentes. A ovelha precisa do pastor para protegê-la, para orientá-la e para alimentá-la, e nós precisamos de Cristo para dar-nos proteção espiritual, orientação diária e alimento espiritual. A ovelha é útil e produtiva, como também o são os verdadeiros cristãos. Por fim, usavam a ovelha para sacrifícios, e os cristãos estão dispostos a entregar-se como “sacrifício vivo” por Cristo (Rm 12.1).
             Os judeus provaram sua descrença ao tentar matar Cristo. Ele refutou-os ao citar Sl 82.6. Se Jeová chamou os juízes terrenos de “deuses”, sem dúvida Jesus pode chamar a si mesmo de Filho de Deus! Cristo, com cuidado para não correr risco desnecessário, deixou a cena. Muitos foram a ele e depositaram nele sua fé. Eles, pela fé, passaram pela Porta, saíram do rebanho religioso judeu e entraram na liberdade e na vida eterna que apenas Cristo pode dar.

Pr. Gualter Guedes

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